Hemocentro alerta para baixa nas doações e reforça necessidade de 100 doadores por dia no RS
Com aumento no número de cirurgias e transplantes, demanda por sangue cresce no Estado, mas quantidade de voluntários ainda está abaixo do necessário para manter os estoques abastecidos.
Publicado em 06 de julho de 2026
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O aumento da oferta de cirurgias, transplantes e tratamentos oncológicos tem elevado a demanda por sangue no Rio Grande do Sul, enquanto o número de doadores permanece abaixo do necessário para garantir estoques seguros. O Hemocentro do Estado do Rio Grande do Sul (Hemorgs) estima que sejam necessárias, no mínimo, 100 doações diárias para atender a rede de hospitais conveniados, mas, em dias sem campanhas organizadas, o número de voluntários não passa de 45.

Responsável pelo Setor de Captação de Doadores do Hemorgs, a enfermeira Ana Dagord explica que a ampliação dos serviços de saúde aumentou significativamente a necessidade de sangue, sem que o crescimento fosse acompanhado pelo número de doadores.

"Precisamos ter, no mínimo, 100 pessoas doando por dia. Quando não há grupos organizados para doação, chegamos, no máximo, a 45 doadores", afirma.

Cada doação, com volume entre 380 e 400 mililitros — equivalente a cerca de dois copos americanos — pode beneficiar até quatro pacientes. O sangue é utilizado em transfusões para pessoas com doenças hematológicas, pacientes oncológicos, vítimas de acidentes, além de quem passa por cirurgias e transplantes.

Atualmente, o Hemorgs abastece cerca de 40 hospitais gaúchos que não possuem estrutura própria para coleta e armazenamento de sangue. Instituições de Porto Alegre que contam com bancos próprios também recorrem ao hemocentro em períodos de baixa nos estoques.

Segundo dados do hemocentro, somente no primeiro semestre deste ano foram realizados quase 1,1 mil transplantes de órgãos no Estado, número próximo ao total registrado durante todo o ano de 2025. O crescimento desses procedimentos reforça a necessidade de ampliar o número de doadores regulares.

Apesar da demanda crescente, menos de 1,4% da população gaúcha doa sangue regularmente, percentual abaixo do recomendado pelos organismos de saúde, que apontam como ideal a participação entre 2% e 3% da população.

O processo de doação é simples e dura cerca de 40 minutos, incluindo cadastro, entrevista e coleta. Antes da doação, os candidatos passam por uma triagem para avaliar as condições de saúde e responder a perguntas sobre hábitos de vida. A orientação é que o voluntário esteja alimentado, hidratado, tenha dormido bem e não apresente sintomas de gripe, febre ou outras doenças no dia da coleta.

Podem doar pessoas entre 16 e 69 anos, desde que atendam aos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Menores de 18 anos precisam de autorização dos responsáveis, enquanto pessoas acima de 60 anos somente podem doar se já tiverem realizado doações anteriormente. Também é necessário pesar, no mínimo, 50 quilos e estar em boas condições de saúde.

O Hemorgs também promove campanhas itinerantes em municípios do interior do Estado, levando equipes de coleta para cidades que não possuem unidades fixas. A iniciativa busca ampliar o acesso à doação e facilitar a participação da população.

Embora a legislação assegure benefícios aos doadores, como folga no trabalho e outros incentivos, Ana Dagord destaca que a principal motivação deve ser a solidariedade.

"A doação precisa ser espontânea e voluntária. Nosso objetivo é garantir que os hospitais tenham sangue disponível e evitar que familiares de pacientes precisem sair em busca de doadores", ressalta.

Fonte: * Vanessa Onci com informações do Correio do Povo
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