O Brasil registrou 388.855 pessoas em situação de rua em maio, segundo dados do Cadastro Único (CadÚnico) analisados pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/Polos-UFMG). O levantamento reforça a forte concentração desse grupo em grandes centros urbanos e aponta desigualdades regionais e raciais no país.
O estado de São Paulo lidera com ampla margem, reunindo 159.290 registros, cerca de 40% do total nacional. Em seguida aparecem Rio de Janeiro (35.406) e Minas Gerais (34.849). Os três estados também registraram crescimento consistente desde 2020.
Concentração nas capitais e avanço em regiões menos populosas
O estudo destaca ainda o avanço em estados como Roraima, que mais que quadruplicou seus registros no período analisado, com forte concentração na capital Boa Vista.
No Nordeste, Fortaleza concentra a maior parte da população em situação de rua do Ceará, seguindo um padrão observado em diversas capitais brasileiras.
Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, o levantamento reforça a tendência de concentração em áreas urbanas e de maior fluxo regional. Um dos pontos de atenção é a região Noroeste do estado, que inclui municípios como Frederico Westphalen, Cerro Largo, Ijuí e Santo Ângelo, onde a dinâmica de mobilidade populacional e a busca por serviços urbanos têm ampliado a visibilidade de pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Embora os grandes volumes estejam concentrados nas capitais e regiões metropolitanas, pesquisadores apontam que cidades médias do interior gaúcho vêm registrando maior presença de pessoas em situação de rua, especialmente em áreas de circulação comercial, rodoviárias e centros urbanos.
Desigualdades regionais e perfil social
Segundo o OBPopRua/UFMG, cerca de 60% da população em situação de rua está no Sudeste, e sete em cada dez pessoas são negras, evidenciando desigualdades estruturais persistentes no país.
O estudo também classifica diferentes níveis de gravidade entre os estados, com destaque para unidades federativas do Sudeste e parte da Região Norte como áreas mais críticas.
Panorama geral
O levantamento reforça que o crescimento da população em situação de rua no Brasil está associado a fatores como desigualdade social, migração em busca de trabalho e dificuldade de absorção dessa população nos grandes centros urbanos, além de evidenciar a expansão do fenômeno para cidades médias e regiões do interior.