Caso Bernardo: defesa de Leandro Boldrini pede anulação de júri feito em Três Passos
Publicado em 07 de agosto de 2019
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A defesa de Leandro Boldrini, condenado a 33 anos e oito meses de priso por participao na morte do filho, Bernardo Uglione Boldrini, aguarda julgamento pelo Tribunal de Justia (TJ) do pedido de anulao do jri realizado em maro, em Trs Passos, no noroeste do Estado. Os advogados Rodrigo Grecelle Vares e Ezequiel Vetoretti alegam que a deciso dos jurados foi contrria s provas contidas no processo, o que seria motivo para anular o julgamento.

Alm de Boldrini, foram condenados pelo crime, ocorrido em 2014, a ento madrasta de Bernardo, Graciele Ugulini, e os irmos Edelvnia e Evandro Wirganovicz. Os defensores dos quatro rus j recorreram das penas dadas pela juza Sucilene Engler.

Contudo, segundo o TJ, para os pedidos serem encaminhados para julgamento na corte ainda falta que os advogados de Graciele e de Edelvnia apresentem as razes da apelao. Depois disso, o Ministrio Pblico (MP) ainda far as contrarrazes.

Havia expectativa de que os recursos chegassem ao tribunal ainda em julho, mas o andamento no se confirmou. Conforme a assessoria de imprensa do TJ, no h prazo para que o processo chegue ao tribunal nem para que os recursos sejam julgados.

Alm de contestar a pena, a defesa de Boldrini quer a anulao do julgamento. O mdico foi acusado pelo Ministrio Pblico de ser o mentor intelectual do plano para matar Bernardo. Conforme a denncia, ele planejou e financiou o crime.

Ns entendemos que no h prova de nada disso nos autos. Ele no estava sendo acusado de ter sido um pai omisso. A acusao feita no ficou provada pelo MP dizem Vares e Vetoretti.

lm da questo de mrito, que trata da falta de provas para sustentar a condenao, os advogados alegam ter ocorrido uma srie de nulidades ao longo do julgamento ou seja, situaes que contrariam o rito estipulado em lei, deixando de seguir formalidades, ou que desconsideraram direitos dos rus. Uma delas estaria ligada ao direito do acusado de ficar em silncio.

Boldrini foi interrogado no terceiro dia do julgamento e respondeu a questes formuladas pelos advogados, pela juza e por dois dos trs promotores. Quando o terceiro promotor comeou a question-lo, a defesa orientou que Boldrini ficasse em silncio. O promotor, ainda assim, quis fazer as perguntas para que fossem gravadas.

O Leandro usou o direito constitucional de ficar em silncio. Mas o MP quis consignar as perguntas. Isso causa embarao, constrangimento, interfere no nimo dos jurados, que acabam pensando "quem cala, consente". Portanto, h prejuzo para o ru. um meio transverso de violar o direito ao silncio destacam os advogados.

Durante aquela sesso, a defesa de Boldrini j havia registrado que poderia pedir a anulao do julgamento. O pai de Bernardo responde ainda a um processo de tica profissional junto ao Conselho Regional de Medicina (Cremers). O procedimento est em fase de diligncias. As sanes so desde advertncia at cassao do registro de mdico.
Fonte: GaúchaZH
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