Violência doméstica é covardia e precisa ser coibida, diz Moro
Publicado em 08 de março de 2019
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O ministro da Justia e Segurana Pblica, Sergio Moro, e a ministra da Mulher, da Famlia e dos Direitos Humanos, Damares Alves, assinaram hoje acordo de cooperao tcnica para combater a violncia domstica no Brasil. A proposta do governo federal, segundo Moro, "incrementar" a utilizao de tornozeleiras eletrnicas e de outros tipos de dispositivo - como o chamado boto de pnico que, ao ser acionado, envia uma mensagem com a localizao da pessoa para agentes de segurana.

"A violncia domstica, no preciso dizer, todos sabem, um grande problema. um ato de covardia e isso tem que ser coibido. Uma das formas de coibir isso atravs de mecanismos tecnolgicos. Ns j os temos no Brasil, mas o uso precisa ser mais disseminado", destacou, ao citar a queda n0o percentual de utilizao das tornozeleiras no Brasil entre 2016 e 2017. De acordo com o ministro, das cerca de 51 mil tornozeleiras eletrnicas disponveis no pas, apenas 2,83% esto sendo utilizadas para combater esse tipo de crime.

"As tornozeleiras j existem, mas esto sendo utilizadas mais frequentemente em outras situaes do que para prevenir a violncia domstica". Questionado se haver compra de novas tornozeleiras ou se tornozeleiras utilizadas em outros crimes sero redirecionadas para o combate violncia domstica, Moro disse que "todas as hipteses so possveis".

Ligue 180

Os ministrios agora tm 30 dias para assinar um plano de trabalho que vai detalhar metas, cronograma e atribuies de responsabilidade de cada rgo e de instituies parceiras. O incio da coleta de dados pelo Ministrio da Justia e Segurana Pblica deve ocorrer no prazo de at 15 dias, a contar da publicao do documento. O acordo de cooperao tcnica ter durao de 24 meses. Dados do Ligue 180 (Central de Atendimento Mulher) divulgados durante a assinatura do acordo revelam que 17.836 denncias foram registradas at o ltimo dia 26 - um aumento de cerca de 36% em relao ao mesmo perodo do ano passado.

Os nmeros, de acordo com o governo federal, so alusivos a casos como crcere privado, feminicdio, trabalho escravo, trfico de mulheres e violncia fsica, moral, obsttrica e sexual. "Infelizmente, nesta nao, os nmeros ainda nos assustam", disse Damares, ao apresentar o balano. "No quesito violncia contra a mulher, a gente se assusta cada vez que faz um levantamento", completou, ao afirmar que preciso avanar no combate violncia domstica.

Aps o balano, a ministra lanou a campanha Salve uma Mulher, voltada para profissionais como cabeleireiros, manicures, maquiadores e outros capazes de identificar sinais de violncia contra a mulher. A ideia, segundo ela, enfrentar a violncia contra o pblico feminino por meio de aes que visem conscientizar para a responsabilidade de todos - em especial, profissionais que lidem com as mulheres todos os dias, como no campo da beleza. "Eles podero orientar suas clientes, considerando essa relao que, muitas vezes, de confiana. Todos os casos de agresses devem ser denunciados", concluiu Damares.
Fonte: Correio do Povo
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