Quem mandou matar Marielle Franco?
Publicado em 14 de fevereiro de 2019
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As investigaes sobre o assassinato da vereadora Marielle Francisco da Silva, Marielle Franco, e o motorista Anderson Pedro Gomes completam nesta quinta-feira (14) 11 meses sem concluso. Eles foram mortos a tiros no centro do Rio de Janeiro aps um evento poltico. Onze meses depois, a autoria do crime ainda incerta.

O assassinato de uma defensora dos direitos humanos no apenas o assassinato de uma pessoa, um ataque aos direitos como um todo, diz Renata Neder, coordenadora de pesquisa da Anistia Internacional Brasil.

As investigaes so resguardadas por sigilo. No faltam hipteses para o crime. O mais provvel, segundo investigadores e autoridades que acompanham o assunto, que o crime tenha sido cometido por milicianos.

No Rio, os milicianos, grupos paramilitares, so conhecidos por controlar, ilegalmente e de forma armada, territrios mais pobres do estado. O ento secretrio estadual de Segurana Pblica, general Richard Nunes, disse Agncia Brasil, em setembro de 2018, que h indcios que a execuo foi cometida por criminosos experientes que sabiam como dissimular as evidncias.

Em dezembro de 2018, o chefe do Departamento de Homicdios da Polcia Civil do Rio, Giniton Alves, disse Agncia Brasil que o absoluto sigilo das apuraes realizadas a maior garantia para o alcance dos autores e mandantes dos crimes investigados.

Tambm no ano passado, o ento ministro da Segurana Pblica, Raul Jungmann, anunciou que a Polcia Federal apuraria se agentes do Estado estariam interferindo nas investigaes da Polcia Civil. Ele disse que havia indcios relevantes de prticas de corrupo, ocultamento e compra de agentes pblicos para impedir a descoberta dos mandantes do crime.

Em nota, o Comando Militar do Leste informou que as investigaes esto com a Secretaria Estadual da Polcia Civil. Por sua vez, a Polcia Civil disse, tambm em comunicado, que as investigaes sobre o caso Marielle esto sob sigilo. A Polcia Federal afirmou que no comenta.

Est na memria o que ocorreu no Rio de Janeiro, s 21h, do dia 14 de maro de 2018, quando a vereadora desce as escadas do nmero 122 da Rua dos Invlidos, na Lapa, onde funciona a organizao no governamental Casa das Pretas. Momentos antes, a parlamentar havia sido aplaudida por ativistas dos direitos das mulheres negras, durante uma mesa-redonda.

Em um discurso que destacou a importncia de se combater a violncia, em especial contra as mulheres negras, sua ltima fala ressaltava a liberdade, em uma citao da ativista dos direitos civis americana Audre Lorde. No sou livre enquanto outra mulher for prisioneira, mesmo que as correntes dela forem diferentes das minhas, disse Marielle Franco ao final do evento.

Ao entrar no carro, um Chevrolet Agile branco, a vereadora no percebeu a movimentao daqueles que acabariam com a sua vida dali a instantes. O veculo deixa a Rua dos Invlidos e segue em direo casa da vereadora, na Tijuca, na zona norte.

Em um cruzamento das ruas Joaquim Palhares, Estcio de S e Joo Paulo I, pouco mais de um quilmetro distante de sua casa, um carro emparelhou com seu Chevrolet Agile e vrios tiros foram disparados contra o banco de trs, justamente onde se sentava Marielle. Treze atingiram o carro.

Quatro disparos atingiram a cabea da parlamentar. Apesar dos tiros terem sido disparados contra o vidro traseiro, trs deles, por causa da trajetria dos projteis, chegaram at a frente do carro e perfuraram as costas do motorista Anderson Gomes. Os dois morreram ainda no local.

S quem perde um filho sabe o tanto que faz falta. Marielle sempre foi uma filha muito boa, Marielle ficou quase cinco anos como filha nica, at a Anielle nascer. Ento uma falta muito grande, desabafou Marinete da Silva, me de Marielle.

A nica sobrevivente foi uma assessora de Marielle. O carro, ou os carros usados no crime, pois h suspeitas de dois veculos, deixaram o local, sem que os autores do homicdio pudessem ser identificados: as cmeras de trnsito que existem na regio estavam desligadas.
Fonte: Agência Brasil
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