Carta denuncia regalias em presídio da Lava Jato
Grupo formado por políticos, ex-executivos e lobistas - teria acesso a celular, internet, visitas íntimas
Publicado em 25 de junho de 2018
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O Ministrio Pblico Federal e a Polcia Federal investigam um esquema de privilgios a presos da Operao Lava Jato no Complexo Mdico-Penal (CMP), em Curitiba. As suspeitas so que um seleto grupo - formado por polticos, ex-executivos e lobistas - teria acesso a aparelhos de telefone celular, internet, visitas ntimas, comida exclusiva, servios de cozinheiro, segurana e zelador particulares.

Alm de usarem "laranjas" em cursos e trabalhos que servem para reduo dos dias de crcere. Uma carta de 47 pginas, escrita mo de dentro do complexo penal e entregue Justia e fora-tarefa da Lava Jato, reativou, no incio deste ano, uma apurao aberta em 2016 sobre um suposto "regime especial" paralelo na ala 6 da unidade, desde a chegada "dos Lava Jato" - como este grupo chamado pelos demais presos.

Ao todo, a carta enumera 27 "fatos" - supostas ilegalidades ou infraes disciplinares - que beneficiariam o grupo. Outros centros prisionais j apuraram casos de regalias envolvendo polticos presos. Em Braslia, uma ao da polcia no domingo passado apontou benefcios ao ex-senador Luiz Estevo, no presdio da Papuda. No incio do ano, o ex-governador Srgio Cabral foi retirado do presdio de Benfica, no Rio, por ter acesso a comidas especiais e sala de cinema, entre outros privilgios. Cabral e Estevo negam.

Antigo Manicmio Judicirio do Paran, o Complexo Mdico-Penal - batizado assim desde 1993 - um presdio localizado em Pinhais, sem muralhas. Visto por fora, foge ao padro visual das unidades de encarceramento do Brasil. Com capacidade para 659 presos, a unidade abriga hoje cerca de 730. A unidade passou a abrigar os detentos da Lava Jato em 2015, aps a carceragem da PF se tornar pequena para o crescente nmero de detidos nas operaes.

Atualmente, so 52. Divididos em dez celas da galeria 6, atualmente 12 presos condenados pelo juiz federal Srgio Moro esto no CMP. Entre eles, o ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine, o ex-presidente da Cmara dos Deputados Eduardo Cunha (MDB-RJ), o ex-deputado petista Andr Vargas, o ex-tesoureiro do PT Delbio Soares e o ex-assessor parlamentar do PP Joo Cludio Genu - os dois ltimos chegaram na quarta-feira passada, dia 20, aps confirmao de suas condenaes em segunda instncia. Vargas suspeito de ser o lder do grupo, com poderes de mando dentro do CMP. Nem os procuradores nem a PF comentam as investigaes em andamento. Em 2016, um procedimento foi aberto aps denncia de uso de celular e destruio de provas pelo empreiteiro Marcelo Odebrecht.

Por isso, ele teria sido transferido em fevereiro daquele ano de volta para a carceragem da PF. Vistoria em agosto de 2016 chegou a localizar um carregador de celular na cela 602, que era ocupada entre outros pelo ex-ministro Jos Dirceu, mas o aparelho no foi localizado. A carta que denuncia regalias diz que presos da Lava Jato "usam celular vontade" no complexo. A fora-tarefa apura tambm a "permisso" de visitas ntimas - no CMP, proibido - para "os Lava Jato". "No tem dia, nem hora exata, qualquer dia e qualquer hora pode ser o momento, sempre no horrio de expediente, e no necessariamente toda semana", relata a carta.

Alm de encontros com as "esposas", o documento cita a presena de "garotas de programa disfaradas de advogadas". O diretor do Departamento Penitencirio do Paran, Francisco Caricatti, afirmou que no foi comunicado sobre as investigaes, nem tem conhecimento de supostas regalias no CMP. O Sindicato dos Agentes Penitencirios do Paran (Sindarspen) informou que "desconhece qualquer denncia contra agentes penitencirios, que supostamente estariam favorecendo presos da Lava Jato". A defesa de Vargas disse que desconhece eventuais benefcios ao ex-deputado petista. Procuradas, as defesas de Marcelo Odebrecht e de Dirceu no responderam.
Fonte: Bruna Casali/JornalismoBarrilFM com informações CP
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