Supremo suspende voto impresso nas eleições de outubro
Publicado em 07 de junho de 2018
Por 8 votos a 2, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o uso do voto impresso nas urnas eletrnicas nas eleies de outubro deste ano. A deciso foi tomada nesta quarta-feira (6) a partir de uma ao da Procuradoria-Geral da Repblica (PGR) contra a impresso, sob a alegao de violao do sigilo do voto.
A impresso do voto foi criada em 2015, pela minirreforma eleitoral, com objetivo de garantir meios para embasar auditorias nas urnas eletrnicas. Mesmo com a garantia da Justia Eleitoral de que o sistema de votao seguro, questionamentos de alguns eleitores levaram o Congresso Nacional a criar o voto impresso. Apesar de ser chamado de voto impresso, o mecanismo serve somente para auditoria das urnas eletrnicas, e o eleitor no fica com o comprovante da votao.
Ao entrar na cabine, o eleitor digitaria o nmero de seu candidato na urna eletrnica. Em seguida, um comprovante para conferncia apareceria no visor da urna. Se a opo estivesse correta, o eleitor confirmaria o voto, e a impresso seria direcionada para uma caixa lacrada, a ser analisada posteriormente pela Justia Eleitoral. A fiscalizao confirmaria, ento, se os votos computados batem com os impressos.
No incio do ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegou a fazer uma licitao para instalar impressoras em 30 mil urnas eletrnicas, o que representaria 5% do total, mas a compra foi suspensa. O contrato seria de aproximadamente R$ 60 milhes. Com a deciso, o presidente do TSE e ministro do STF, Luiz Fux, informou que a licitao ser revogada. Fux estava impedido de participar do julgamento.
Julgamento
Relator da ao da PGR, Gilmar Mendes votou pela manuteno do voto impresso, mas entendeu que a impresso deve ser implementada pela Justia Eleitoral conforme a disponibilidade de recursos. Em seu voto, o ministro tambm criticou pessoas que contestam a segurana e confiabilidade das urnas eletrnicas. O entendimento foi acompanhado por Dias Toffoli.
H uma ideia de que a votao, toda ela, no Brasil, fraudada, e que o eleitor vai tero voto impresso e vai levar para casa. Vai colocar no bolso e levar para casa. Daqui a pouco, faro uma apurao particular. Vende-se um tipo de iluso. Beira ou j ultrapassou os limites do ridculo,afirmou.
A divergncia foi aberta pelo ministro Alexandre de Moraes, que votou contra a norma que criou o voto impresso por entender que a medida compromete a confidencialidade do voto. Segundo Moraeso, a impresso permite a possibilidade de identificao do eleitor, podendo causar presso indevida para que o cidado vote em favor de algum.
"Se ser impresso alguma coisa para fazer a conferncia, algum vai ter que colocar esse voto impresso em algum lugar, vai poder ter conhecimento desse voto impresso.", argumentou Moraes.
Lus Roberto Barroso, que tambm votou contra a impresso, disse que no h evidncia de fraude que justifique a implantao do voto impresso. Barroso argumentou que tambm inviabilizam o voto impresso o alto custo de implementao, de aproximadamente de R$ 2 bilhes, e o risco da quebra de sigilo.
"Os controles atualmente existentes so suficientes, no envolvem custos elevados. Nada documenta que tenha ocorrido quebra da segurana ou que tenha ocorrido fraude", acrescentou Barroso.
A presidente do STF, Crmen Lcia, tambm reforou que no h indcios de fraude que justifiquem o uso do voto impresso, que poderia quebrar o sigilo. " preciso que a gente aprenda a confiar nas instituies brasileiras, especialmente nas que do certo, e a Justia Eleitoral tem dado certo. O processo de voto eletrnico e da urna eletrnica tem dado certo, afirmou.
O entendimento contra a impresso tambm foi acompanhado pelos ministros Edson Fachin, Rosa Weber, Marco Aurlio, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello.
Suspeitas de fraude
O advogado Alberto Emanuel Malta, representante do Sindicato dos Nacional dos Peritos Criminais Federais, defendeu, durante o julgamento, o uso do voto do impresso para aprimorar a segurana da votao. Durante sua sustentao, Malta disse que peritos que participaram de testes de segurana promovidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2017 conseguiram violar o programa da urna eletrnica.
"Esses profissionais conseguiram encontrar diversos vcios, diversas falhas, no sistema eletrnico de votao. A ttulo de exemplo, conseguiram esses profissionais gerar boletim de urna falso, conseguiram obter a chave criptogrfica da urna. Conseguiram ainda, o que mais grave, alterar a ordem do RDV, que o registro digital do voto, o que garante o sigilo do voto e, portanto, conseguiram identificar quem era o primeiro, o segundo e o terceiro voto de cada um dos eleitores", afirmou Malta.
A afirmao causou desconforto aos ministros Luiz Fux, atual presidente do TSE, e Ricardo Lewandowski e Crmen Lucia, que j presidiram a Corte Eleitoral. "Essa uma imputao muito sria", afirmou Lewandowski. Em seguida, Crmen Lcia emendou: Muito sria. E da maior gravidade."
Procuradoria
Ao se manifestar no julgamento, a procuradora-geral da Repblica, Raquel Dodge, reforou a tese de que o voto impresso um mecanismo de impresso automatizada somente para fins de fiscalizao, que no contribui para efetivar a vontade do eleitor, porque o voto no preenchido por ele, como nas antigas urnas de lona.
Segundo a procuradora, a norma tambm no previu as consequncias em caso da constatao de divergncia entre o voto computado e o impresso, como a eventual anulao do voto. "Essas ponderaes me levaram a trazer ao plenrio desta Corte consideraes sobre a persistncia de riscos segurana jurdica, confiabilidade do voto eletrnico, preveno de fraude na transmisso do voto eletrnico, que ser verdadeiramente computado", afirmou.
A impresso do voto foi criada em 2015, pela minirreforma eleitoral, com objetivo de garantir meios para embasar auditorias nas urnas eletrnicas. Mesmo com a garantia da Justia Eleitoral de que o sistema de votao seguro, questionamentos de alguns eleitores levaram o Congresso Nacional a criar o voto impresso. Apesar de ser chamado de voto impresso, o mecanismo serve somente para auditoria das urnas eletrnicas, e o eleitor no fica com o comprovante da votao.
Ao entrar na cabine, o eleitor digitaria o nmero de seu candidato na urna eletrnica. Em seguida, um comprovante para conferncia apareceria no visor da urna. Se a opo estivesse correta, o eleitor confirmaria o voto, e a impresso seria direcionada para uma caixa lacrada, a ser analisada posteriormente pela Justia Eleitoral. A fiscalizao confirmaria, ento, se os votos computados batem com os impressos.
No incio do ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegou a fazer uma licitao para instalar impressoras em 30 mil urnas eletrnicas, o que representaria 5% do total, mas a compra foi suspensa. O contrato seria de aproximadamente R$ 60 milhes. Com a deciso, o presidente do TSE e ministro do STF, Luiz Fux, informou que a licitao ser revogada. Fux estava impedido de participar do julgamento.
Julgamento
Relator da ao da PGR, Gilmar Mendes votou pela manuteno do voto impresso, mas entendeu que a impresso deve ser implementada pela Justia Eleitoral conforme a disponibilidade de recursos. Em seu voto, o ministro tambm criticou pessoas que contestam a segurana e confiabilidade das urnas eletrnicas. O entendimento foi acompanhado por Dias Toffoli.
H uma ideia de que a votao, toda ela, no Brasil, fraudada, e que o eleitor vai tero voto impresso e vai levar para casa. Vai colocar no bolso e levar para casa. Daqui a pouco, faro uma apurao particular. Vende-se um tipo de iluso. Beira ou j ultrapassou os limites do ridculo,afirmou.
A divergncia foi aberta pelo ministro Alexandre de Moraes, que votou contra a norma que criou o voto impresso por entender que a medida compromete a confidencialidade do voto. Segundo Moraeso, a impresso permite a possibilidade de identificao do eleitor, podendo causar presso indevida para que o cidado vote em favor de algum.
"Se ser impresso alguma coisa para fazer a conferncia, algum vai ter que colocar esse voto impresso em algum lugar, vai poder ter conhecimento desse voto impresso.", argumentou Moraes.
Lus Roberto Barroso, que tambm votou contra a impresso, disse que no h evidncia de fraude que justifique a implantao do voto impresso. Barroso argumentou que tambm inviabilizam o voto impresso o alto custo de implementao, de aproximadamente de R$ 2 bilhes, e o risco da quebra de sigilo.
"Os controles atualmente existentes so suficientes, no envolvem custos elevados. Nada documenta que tenha ocorrido quebra da segurana ou que tenha ocorrido fraude", acrescentou Barroso.
A presidente do STF, Crmen Lcia, tambm reforou que no h indcios de fraude que justifiquem o uso do voto impresso, que poderia quebrar o sigilo. " preciso que a gente aprenda a confiar nas instituies brasileiras, especialmente nas que do certo, e a Justia Eleitoral tem dado certo. O processo de voto eletrnico e da urna eletrnica tem dado certo, afirmou.
O entendimento contra a impresso tambm foi acompanhado pelos ministros Edson Fachin, Rosa Weber, Marco Aurlio, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello.
Suspeitas de fraude
O advogado Alberto Emanuel Malta, representante do Sindicato dos Nacional dos Peritos Criminais Federais, defendeu, durante o julgamento, o uso do voto do impresso para aprimorar a segurana da votao. Durante sua sustentao, Malta disse que peritos que participaram de testes de segurana promovidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2017 conseguiram violar o programa da urna eletrnica.
"Esses profissionais conseguiram encontrar diversos vcios, diversas falhas, no sistema eletrnico de votao. A ttulo de exemplo, conseguiram esses profissionais gerar boletim de urna falso, conseguiram obter a chave criptogrfica da urna. Conseguiram ainda, o que mais grave, alterar a ordem do RDV, que o registro digital do voto, o que garante o sigilo do voto e, portanto, conseguiram identificar quem era o primeiro, o segundo e o terceiro voto de cada um dos eleitores", afirmou Malta.
A afirmao causou desconforto aos ministros Luiz Fux, atual presidente do TSE, e Ricardo Lewandowski e Crmen Lucia, que j presidiram a Corte Eleitoral. "Essa uma imputao muito sria", afirmou Lewandowski. Em seguida, Crmen Lcia emendou: Muito sria. E da maior gravidade."
Procuradoria
Ao se manifestar no julgamento, a procuradora-geral da Repblica, Raquel Dodge, reforou a tese de que o voto impresso um mecanismo de impresso automatizada somente para fins de fiscalizao, que no contribui para efetivar a vontade do eleitor, porque o voto no preenchido por ele, como nas antigas urnas de lona.
Segundo a procuradora, a norma tambm no previu as consequncias em caso da constatao de divergncia entre o voto computado e o impresso, como a eventual anulao do voto. "Essas ponderaes me levaram a trazer ao plenrio desta Corte consideraes sobre a persistncia de riscos segurana jurdica, confiabilidade do voto eletrnico, preveno de fraude na transmisso do voto eletrnico, que ser verdadeiramente computado", afirmou.
Fonte: Bruna Casali/JornalismoBarrilFM com informações EBC
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