O Banco do Brasil iniciou nesta quarta-feira (26) as operações para renegociação de dívidas rurais previstas na Medida Provisória nº 1.376/2026. A iniciativa cria linhas de crédito especiais para produtores e cooperativas que enfrentaram perdas provocadas por eventos climáticos ou dificuldades de mercado em duas ou mais safras entre 2019 e 2025.
As novas linhas têm taxas de juros a partir de 5% ao ano, conforme as condições estabelecidas para cada categoria de produtor e tipo de operação. Podem ser beneficiados agricultores familiares, produtores enquadrados no Pronaf e no Pronamp, além de outras categorias que atendam aos critérios definidos pela medida.
Segundo o Banco do Brasil, aproximadamente 113 mil clientes possuem operações potencialmente elegíveis às condições da MP. A carteira representa um volume de até R$ 100 bilhões. Desse total, 36% correspondem a operações inadimplentes, enquanto os demais são contratos adimplentes que já foram prorrogados ou renegociados.
A maior parte da carteira, 65,2%, está relacionada à agricultura empresarial. Outros 30,5% correspondem a médios produtores, enquanto o restante envolve agricultores de menor porte e produtores familiares.
Entre as principais atividades financiadas, 38,8% da carteira estão relacionadas à produção de soja, 35,6% à pecuária e 8,6% ao milho. Outras culturas representam 17% das operações potencialmente enquadradas.
Região Sul concentra R$ 22,9 bilhões
Entre os potenciais clientes que poderão renegociar as dívidas, 40,2 mil estão na região Sul, com uma carteira estimada em R$ 22,9 bilhões, considerando operações inadimplentes e contratos adimplentes que já passaram por negociação.
No Centro-Oeste, são 18,4 mil clientes e R$ 33,9 bilhões em operações potencialmente enquadradas. O Sudeste reúne 25,9 mil clientes, com uma carteira de R$ 23,6 bilhões.
Já o Norte possui 11,3 mil clientes e R$ 9,3 bilhões em operações, enquanto o Nordeste soma 17,5 mil clientes e uma carteira potencial de R$ 10,4 bilhões.
Em nota, o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, Gilson Bittencourt, afirmou que a medida representa uma oportunidade para recuperar a capacidade financeira de produtores afetados por sucessivos ciclos de perdas.
Segundo ele, as equipes do banco estão atuando para avaliar soluções de acordo com a realidade de cada produtor, buscando a sustentabilidade do crédito e a continuidade das atividades agropecuárias. A expectativa é que a medida também contribua para acelerar a regularização das operações com dificuldades e melhorar os índices de pontualidade do setor.