Correios adiam fechamento de agências e iniciam negociação com sindicatos
Decisão adia temporariamente o encerramento de unidades previsto no plano de reestruturação, enquanto estatal busca evitar greve e enfrenta prejuízo de R$ 3,158 bilhões no primeiro trimestre de 2026
Publicado em 10 de julho de 2026
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Os Correios decidiram suspender temporariamente o fechamento de agências previsto no plano de reestruturação da estatal. A medida foi adotada para abrir espaço às negociações com os sindicatos que representam os trabalhadores, após o aumento da insatisfação da categoria e a ameaça de uma paralisação.

Segundo a empresa, a suspensão tem caráter temporário e permanecerá em vigor até que seja alcançado um entendimento com as entidades sindicais. Apesar da decisão, outras ações voltadas à redução de despesas, como a venda de imóveis, continuam sendo executadas.

O fechamento de agências é considerado um dos principais pilares do plano de reestruturação financeira dos Correios. Das mil unidades previstas para encerramento, apenas 256 foram desativadas até o momento. A expectativa da empresa é economizar cerca de R$ 2,1 bilhões com a conclusão da medida.

Outro tema que deve ser discutido durante as negociações é o lançamento de um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV), que deverá atender exclusivamente os cerca de 7 mil empregados lotados nas unidades que serão fechadas. Na primeira edição do programa realizada neste ano, 3.181 funcionários aderiram voluntariamente, o equivalente a 31% do público-alvo.

O plano de reestruturação ganhou força após os Correios firmarem, em dezembro de 2025, um empréstimo de R$ 12 bilhões com um grupo de cinco bancos. O objetivo é reorganizar as finanças da estatal e ampliar sua capacidade de investimento diante dos desafios enfrentados pelo setor.

A necessidade de ajustes foi reforçada pelos resultados financeiros mais recentes da empresa. No primeiro trimestre de 2026, os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 3,158 bilhões, valor superior às perdas de R$ 1,725 bilhão registradas no mesmo período de 2025. De acordo com o relatório contábil, o resultado é consequência da redução contínua das receitas com serviços postais tradicionais e do aumento da concorrência em segmentos mais lucrativos da logística, especialmente no comércio eletrônico.

Apesar do cenário de dificuldades financeiras, os Correios anunciaram recentemente um importante contrato com o Banco do Brasil. O acordo, no valor de R$ 2,3 bilhões e com duração de cinco anos, prevê a prestação de serviços postais convencionais, especiais e telemáticos em todo o território nacional e também no exterior. Segundo o banco, a contratação foi realizada após análises técnicas, jurídicas e administrativas.

Enquanto busca equilibrar suas contas, a estatal tenta conciliar a implementação das medidas de reestruturação com o diálogo junto aos trabalhadores, na expectativa de evitar uma greve e minimizar os impactos das mudanças previstas.

Fonte: * Vanessa Onci com informações da CNN
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